quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Dark Life 1º capitulo

Dark Life*

1º Capitulo 

Estaciono o carro no lugar mais perto da clínica psiquiátrica, passaram dois anos desde a última vez que a vi. Odeio-me por não ter visitado, odeio ser um fraco e não ter cumprido a promessa que lhe fiz, passo a mão pelo cabelo e vou em direcção a porta de entrada, abro-o e dirijo-me ao balcão.
-Vinha buscar a minha irmã. – A mulher olha para mim, não é nada agradável aquele seu olhar, olho em volta e vejo um sítio desagradável para se habitar, as paredes brancas estão demasiado velhas, a ventoinha do tecto gira a uma velocidade anormal mas mesmo assim o calor dentro do edifício continua a ser intolerável.
-Qual o nome dela? – Pergunta a empregada numa voz arrastada, o seu hálito tem cheiro a uísque ou algo do género, o cabelo preto tem várias manchas brancas, os olhos negros são demasiados sombrios.
-Abigail Clarke – Digo rápido, se esta parte é assim como serão os dormitórios? Mais uma vez uma sensação de culpa apodera-se de mim. Vejo um sorriso aparecer na cara da empregada do balcão.
-Tem uma rica irmã – A voz dela é toda recheada de simpatia agora. – Ela já vem cá ter, assine aqui por favor. – Assino dois papéis nos quais eu assumo a responsabilidade, os meus pais deveriam estar aqui, foram eles que a meteram neste lugar. Saio do balcão e dirijo-me para uma cadeira, todas elas são velhas, quando me sento numa ela abana. Passo a mão pelo cabelo e espero ansiosamente que a minha irmã saia para a poder abraçar e leva-la deste hospício para sempre. Vejo uma rapariga com uma mala a chegar a entrada, vem dos dormitórios, o cabelo negro é comprido, não é liso nem bem tratado, mas sim grosso e embaraçado, ela é magra, a sua pele é branca como a nevoa da neve, os olhos verdes não tem cor assim como os seus lábios que a qualquer momento desaparecerão. O nariz é pequeno, e as suas bochechas não possuem cor nenhuma, as sobrancelhas são pretas e volumosas, e sinto o seu olhar preso no meu. É neste momento que sinto o meu coração despedaçar-se, é ela, a minha irmã, está irreconhecível, parece morta, as lágrimas começam a rolar pela minha cara, levanto-me e corro para a abraçar, ela põe os braços a minha volta após uns segundos demorados.
-Abby tive tantas saudades tuas, desculpa por tudo! Eu adoro-te, desculpa. – O abraço acaba e eu sinto os seus olhos fixos no meu.

-O meu nome é Abigail. – É a única frase que ela diz, e esta está despromovida de emoção. Pego na mala dela e mantenho-me em silêncio, ela deve odiar-me, ela esteve dois anos sozinha neste sítio horrível, ela não é mesma e a culpa é minha.

Sem comentários:

Enviar um comentário